Reportório e Danças

O grupo interpreta temas de vários pontos geográficos da Europa, cada um com determinadas especificidades e contributo para a história da música e da dança.
Eis aqui alguma descrição mais pormenorizada sobre este repertório.
O Sbrando de Itália; a Bourrée, a Branle dos Cavalos, o Hanter’Dro, o Pas d’Eté, da França; a Muiñeira Corrida da Galiza, ou do País Basco o Carnaval de Lantz; os Hassapikos da Grécia; o Sellenger’s Round e o Circassien Cercle da Inglaterra; o Joc Batrenesc da Roménia; a Kolomeika da Ucrânia; o Ma Na’vou e o Tsadik Katamar de Israel, são alguns dos temas interpretados pelo grupo,.
Estes temas são de carácter lúdico, à excepção das últimas, israelitas, cujo âmbito é mágico/religioso.
Pode-se, portanto, dividir as danças de entretenimento em três grupos: danças da nobreza, danças populares e danças a pares.
Ora, como danças da nobreza, o Sellenger’s Round e o Millison’s Jig são contradanças inglesas dançadas nos salões dos nobres ingleses e franceses.
O nome “contradança” provém de “country dance”, isto é, danças do povo, o que nos indica a flexibilidade das danças que, sendo inicialmente dançadas pelas pessoas mais humildes nas festas das aldeias, transitam de nível social e são adaptadas pelos nobres para as suas festas na corte.
As contradanças inglesas são do Renascimento e encontram-se descritas nos manuais de dança “The English Dance Master” por John Playford no séc. XVII. Já as Branles, entre as quais encontramos a Branle des Chevaux, foram descritas no ano 1560 pelo padre Toinot Arbeau no primeiro manual de danças que existe “La Orchestographie”.
Este manual estava destinado a um dos aprendizes do padre Toinot, que pretendia ser nobre, sendo que uma condição indispensável para tal era, precisamente, saber dançar.
Pelos factos das contradanças e das Branles (entre outras) estarem descritas, pode-se observar que não sofreram alterações ao longo destes séculos que passaram.
As danças populares são de tradição oral e vão passando de geração em geração, de uma aldeia para outra e de um bailador para outro, que vão acrescentando gestos e mudanças nas coreografias. Por isso é muito difícil a descrição exacta da proveniência e época de cada uma das danças. Existem até casos em que as danças vão de um país para outro, tornando-se mais conhecidas no país de acolhimento do que no país de origem.
Este é o caso do Hanter’Dro, do Sbrando, dos Hassapikos, do Carnaval de Lantz, do Pas d’Eté e da Bourrée. Deve-se ainda acrescentar que existem muitas bourrées a três tempos, sendo estas habitualmente dançadas em grupos de quatro, ou “quadrilhas”, que realizam diversas figuras coreográficas.
Existem algumas coreografias de quadrilhas tradicionais de regiões francesas como a bourrée de Auvergnia.
Quanto às danças a pares, pode afirmar-se que apareceram na Europa Central no sec.XVIII.
São estas, a valsa, a polca, a mazurca, entre outras.
Estas danças foram adaptadas rapidamente por todos os países europeus, podendo ser encontrados assim estes ritmos e figuras em todas as regiões do continente europeu.
Deste grupo, os Monte Lunai interpretam a muiñeira corrida, a scottisch, a valsa e a mazurca.
Por fim, são de referência ainda as danças de carácter mágico/religioso, que são aquelas em cuja coreografia se apresentam gestos que indicam uma súplica ou um oferecimento.
Este tipo de danças existe desde há muitos anos atrás e costumam ser realizados em círculo, sendo que alguns povos o faziam à volta de uma fogueira.
Os Monte Lunai interpretam duas danças israelitas coreografadas que são Tsadik Katamar e Ma Na’Vou. Outra com estas características é Joc Batrenesc da Roménia.